segunda-feira, 4 de março de 2013
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Resumo do programa de extensão 3
Programa 3 - A integração da
produção animal e vegetal no processo de transição agroecológica no assentamento chico mendes III-PE
Participação:
Eliezer Gomes da Silva Filho
Francisco Roberto Caporal
Guilherme de Vasconcelos
Jorge Roberto Tavares de Lima
José Nunes da Silva
Maria Zênia Tavares da Silva
Suely Alves de Lima Agra
- Núcleo de Agroecologia e Campesinato/UFRPE
- Núcleo de Agricultura Familiar/Incubacoop/UFRPE
Apoio: Programa de Extensão financiado pela
SESU/MEC
® No âmbito da divulgação
Palavras-Chave: agroecologia, transição
agroecológica, sistemas de produção sustentáveis, assentamentos
Coordenação: Jorge Luiz Schirmer de Mattos
Ana Maria Dubeux
Gervais
Aniérica Almeida dos
SantosEliezer Gomes da Silva Filho
Francisco Roberto Caporal
Guilherme de Vasconcelos
Jorge Roberto Tavares de Lima
José Nunes da Silva
Maria Zênia Tavares da Silva
Suely Alves de Lima Agra
Bolsistas Extensão SESu/MEC: 07
Período de Execução: 2013
Parcerias:
- Colégio Agrícola
Dom Agostinho Ikas - CODAI
- Instituto
Agronômico de Pesquisa - IPA- Núcleo de Agroecologia e Campesinato/UFRPE
- Núcleo de Agricultura Familiar/Incubacoop/UFRPE
Objetivos:
►Geral
Contribuir para o
desenvolvimento sustentável do Assentamento Chico Mendes III e região com base
nos princípios da Agroecologia.
►Específicos
® No âmbito da produção e da comercialização
- Desenvolver
diferentes tipos de rações para alimentação dos animais do assentamento, com
base em matéria prima local,
- Apoiar a integração
da produção animal e vegetal no assentamento,
- Melhorar a
biodiversidade genética animal e vegetal no assentamento,
- Orientar o manejo
alimentar e sanitário dos animais no assentamento,
- Capacitar os
assentados em planejamento, produção e comercializar de produtos de origem
animal;
- Formar assentados
em integração da produção animal e vegetal agroecológica, via metodologia Camponês
a Camponês;
- Formar alunos em
extensão rural de base agroecológica.
- Sistematizar as
dimensões econômicas, sociais, culturais e ambientais da transição
agroecológica no assentamento;
- Divulgar as
experiências agroecológicas dos assentados de Chico Mendes III em programa de
rádio e cartilha;
- Realizar programa
de rádio semanal na rádio Damata FM;
- Realizar pesquisa
de opinião sobre o programa de rádio
- Elaborar cartazes,
panfletos e folders sobre o programa de rádio;
- Formar jovens
rurais em montagem de programa de rádio.
Resumo: O assentamento Chico Mendes III está
dividido em cinco núcleos, cada um com onze famílias. Desde 2009 vem passando
por um processo de transição agroecológica com várias mudanças no âmbito da
produção vegetal com policultivos a base de frutíferas e hortaliças culminando
com a implantação de duas feiras agroecológicas. Contudo, ainda persiste a
dependência de insumos externos, principalmente adubos orgânicos e sementes.
Ademais, há pouca ou nenhuma integração com a produção animal em curso no assentamento. Também as feiras carecem de uma
revitalização e maior divulgação. O presente programa tem como objetivo
aprofundar e ampliar a transição agroecológica em curso no assentamento Chico
Mendes III via integração da produção animal e vegetal e comercialização a fim
de garantir a soberania alimentar, renda e qualidade de vida as famílias
assentadas, bem como compartilhar as experiências produtivas dos assentados com
a população local. Isso irá requerer um exercício pedagógico-dialógico consubstanciado
em relações horizontais em que os protagonistas serão os próprios assentados.
Para tal pretende-se resgatar material genético de origem animal e vegetal
adaptado às condições locais, implantar quatro Unidades Experimentais
Agroecológicas - UEA envolvendo a produção de composto orgânico, rações para
caprinos, aves e peixes e um programa de rádio. Serão feitas visitas,
intercâmbios, mutirões, reuniões, seminários para facilitar o empoderamento e o
fortalecimento da autonomia das famílias do assentamento. Com base na
metodologia Camponês a Camponês pretende-se apoiar, acompanhar e sistematizar
as experiências e seus desdobramentos nos aspectos produtivos ou econômicos,
sociais, ambientais e culturais do assentamento, com vistas a sua
replicabilidade junto as comunidades rurais locais via programa radiofônico.
terça-feira, 16 de outubro de 2012
Os mitos da agricultura convencional
Esther Vivas desmonta um a um os mitos que sustentam o sistema agrícola atual.
Palavras-chaves:
agroecologia, agroecossistemas, camponês, transição agroecológica
Key word: agroecology, agroecosystem, peasant, agroecological transitionsegunda-feira, 4 de junho de 2012
Convite
Os produtores da Feira Agroecológica Chico Mendes, com o objetivo de estreitar os laços com os consumidores, convida a todos para participar de uma visita ao Assentamento no dia 16/06/2012, com saída às 8h,em frente a praça de Dois Irmãos, no ônibus de UFRPE, e com retorno previsto às 14h. Nesse dia, os convidados terão a oportunidade de conhecer melhor a história, a luta e os roçados, e ainda, provar um saboroso almoço (R$ 10,00/pessoa) feito com alimentos produzidos no próprio Assentamento. Os interessados deverão fazer ss suas inscrições junto a feira a até o dia 15/06/2012.
quarta-feira, 25 de abril de 2012
A UFRPE cria Programa de Rádio em Agroecologia
A UFRPE por intermédio do Núcleo de Agroecologia e
Campesinato-NAC do Departamento de Educação realiza a partir do dia 27.04.12 um
Programa na rádio comunitária Damata FM em São Lourenço da Mata. Tal iniciativa
faz parte das ações que estão sendo desenvolvidas no âmbito do Programa de
Extensão “Transição agroecológica - produção, comercialização e integração com
a comunidade local, apoiado pelo PROEXT - 2012 MEC/SESu.
A criação do Programa Agroecologia parte do entendimento de
que a inserção efetiva da Universidade no campo da Extensão Rural, da Economia
Solidária e da Agroecologia, à luz da sociedade contemporânea, pressupõe um
repensar de sua função geradora e transmissora do saber. Tal constatação aponta
para a necessidade da Universidade deixar de ser “a ilha do conhecimento” para
desenvolver ações “além muro” de modo que os conhecimentos por ela gerados e
trabalhados, para atingirem plenamente seus objetivos, devem ser amplamente
divulgados, debatidos e assimilados pelo conjunto da sociedade. Ademais a Universidade,
como instituição de ensino-pesqisa-extensão deve promover e buscar uma
aproximação, cada vez maior, com a sociedade a ponto de influenciar e ser
influenciada por ela. Da mesma forma, a publicação dos achados da Universidade
não deve acontecer somente em jornais e revistas especializadas, mas também em
canais de comunicação de massa e de extensão, a exemplo do rádio.
Nesse sentido, a edição de um programa semanal de
radiodifusão sobre Agroecologia, em uma emissora de rádio como a Comunitária Damata
FM (98.5), será um importante canal de comunicação da UFRPE com a população
urbana e rural da região metropolitana do Recife. Trata-se de uma forma de
socializar conhecimentos e encurtar à distância entre o meio acadêmico e a
comunidade na qual a UFRPE está inserida. Mas trata-se também de oportunizar um
espaço as agricultoras e agricultores da região envolvidos com estilos
sustentáveis de agricultura e alimentos saudáveis e a todas as famílias
consumidoras que optaram ou desejam optar por modelos de consumo mais
conscientes e saudáveis.
O Programa Agroecologia irá ao ar todas as sextas-feiras
das 8:30 as 9:30h na Rádio Damata FM 98.5. O Programa também poderá ser
acessado via internet no endereço: www.radiodamatafm.com,br
Palavras-chaves: agroecologia,
agroecossistemas, camponês, transição agroecológica
Key word: agroecology, agroecosystem, peasant,
agroecological transition
A modernização conservadora da agricultura familiar e a agroecologia
Apenas
como recurso analítico posto a interdependência das categorias, pode-se dizer
que, na atualidade, vigoram nas áreas rurais do Brasil contradições entre a
‘questão agrícola’ e ‘questão agrária’. A primeira, exceto por alguns produtos
essenciais, considera-se bem encaminhada desde uma perspectiva quantitativa.
Quanto à segunda, persistem as graves anomalias e desigualdades históricas, não
alteradas nos anos recentes, como esperado, por conta de temores com a
governabilidade, altamente sensível aos movimentos das classes conservadoras.
Gerson
Teixeira[1] (abril de 2012)
Em
particular, no plano institucional, permanecem ativas as principais barreiras e
armadilhas consolidadas na legislação, na jurisprudência e na administração,
que legitimam ou blindam os privilégios do latifúndio e do agronegócio, em
geral, que atuam contra a efetividade de um projeto democrático nas áreas rurais
do país.
É
pertinente avaliar que antes do presente século, duas anomalias estruturais
coexistiram no agrário, entre tantas outras: a brutal concentração da terra e a
fortíssima exclusão, das políticas públicas, dos segmentos produtivos de origem
camponesa.
Desde o
início do presente século, na melhor das hipóteses foi mantido o grau de
concentração da terra. Contudo, a partir do primeiro governo do Presidente
Lula, foi executada vigorosa política de inclusão, nos instrumentos oficiais de
fomento produtivo, de parcela importante do universo de agricultores familiares
e comunidades tradicionais.
A rigor,
essa política deu amplitude e consistência aos ensaios deflagrados pelo governo
FHC com a criação do Pronaf. Desde a origem, o alvo estratégico das referidas
ações converge para o esforço de enquadramento dos agricultores familiares nos
paradigmas de “eficiência produtivista” do qual resulta a segregação entre
aqueles aptos (competitivos) e não aptos para a sobrevivência no mercado.
As
estratégias do Banco Mundial para as áreas rurais da América Latina durante a
década de 1990 de hegemonia do pensamento neoliberal exerceram forte influência
nessas definições no Brasil. Sem esquecer que o avanço obervado na‘reforma
agrária de mercado’, à época, restringem até os dias presentes a efetividade do
instituto da desapropriação punitiva do latifúndio improdutivo.
Essa
direção política para a agricultura familiar adquiriu status estratégico na
gestão de Mangabeira Unger à frente da SAE/PR. Na ocasião, o projeto desenhado
para o futuro do Brasil considerou o fortalecimento do agronegócio como um dos
seus pilares fundamentais. Para tanto, entre outras ações, foi definido o
imperativo de se proceder à “transição” da agricultura familiar. Por suposto,
transição sob a ótica produtivista para o mercado.
Para dar
materialidade a esse ‘projeto modernizante’, sob os paradigmas acima, o crédito
e, associadamente, a assistência técnica, foram, e continuam sendo, os
principais veículos para a replicagem da matriz tecnológica da‘revolução verde’
na economia agrícola de base familiar.
Sem
dúvidas, ocorreram diferenças políticas entre os governos FHC e Lula no
processo de exposição dos agricultores familiares ao mercado. Claro que no
contexto de uma economia capitalista, não seria razoável pretender o isolamento
da economia camponesa do mercado.
Mas,
desde uma abordagem que pelo menos tangencie a noção com a qual nos alinhamos
da autonomia relativa dos camponeses, o que implicaria, pelo lado do Estado, em
ações, por exemplo, de proteção desse público ao fenômeno de diferenciação
social preconizado pela teoria marxista, verificamos que:
a) No
governo FHC, ainda num estágio do crédito em pequena escala, por conta não
apenas das prioridades políticas de governo, mas em função, também, das restrições
das finanças públicas, mencionada estratégia visou articular a plenitude do
vínculo dos pequenos agricultores com o mercado, sem contrapesos por parte do
Estado;
b) No
período Lula, houve a ampliação significativa dos recursos para o crédito, e a diversificação
dos instrumentos de estímulos produtivos convencionais, o que acelerou a
massificação da estratégia em consideração. Todavia, ao mesmo tempo, ocorreu o
desenvolvimento de mercados institucionais e de instrumentos especiais de
sustentação de preços e renda (extensivos aos produtos do agroextrativismo),
que passaram a funcionar como refúgios ou mitigadores dos impactos do mercado lato
sensu para os segmentos mais fragilizados da agricultura familiar.
Essa
maior cautela do governo Lula com o choque do mercado sobre setores camponeses
mais frágeis expressou a sua maior sensibilidade com as circunstâncias
políticas desses trabalhadores. Contudo, não abalou os propósitos de última
instância do projeto de modernização, qual seja, de junto com a disseminação da
base técnica intensiva em capital e energia, apostar nos efeitos do mercado
como via de seleção dos camponeses habilitados à sobrevivência econômica nesse
ambiente.
No que
concerne aos objetivos do “produtivismo”, ou seja, da generalização e intensificação
do emprego da matriz tecnológica produtivista pela agricultura familiar, houve
plena convergência das ações de ambos os governos. Isto, exceções de praxe, sem
a crítica pelas entidades representativas desses trabalhadores sobre a
qualidade das transformações políticas, em curso, induzidas pelos bilhões de
Reais disponibilizados. Interessava, e prossegue interessando, os bilhões de
Reais do crédito e o sentimento de ‘conquista’ pelas políticas específicas,
finalmente ofertadas.
Assim,
teve curso o processo de ‘modernização’ da atividade produtiva da grande fração
dos agricultores familiares, ainda não integrados, sob a base tecnológica que
orientou a modernização da grande exploração agrícola a partir dos anos de
1970.
A
qualificação conservadora para esse processo se deve, no mínimo, a duas razões:
(i) ao
fato de, a exemplo da estratégia correlata para a grande exploração, não ter
envolvido mudanças na estrutura da posse da terra. O programa de reforma
agrária executado no período recente, sequer reduziu as áreas de minifúndios.
Pelo contrário, a modernização vem ocorrendo com a ampliação da área desses
imóveis que, de 2003 a 2010, passou de 39 milhões de hectares para 47 milhões
de hectares, segundo o Incra. Obviamente, essa faixa dos camponeses
minifundistas é aquela potencialmente mais ameaçada;
(ii) pela
disseminação, no universo da agricultura familiar, da matriz tecnológica da
‘revolução verde’.
No que
tange a este último ponto, considere-se, em decorrência, o fortalecimento da
inserção da agricultura familiar nos circuitos capitalistas convencionais da
produção e consumo agrícola hegemonizado pelo agronegócio.
Resulta
que o próximo Censo Agropecuário deverá atestar o fenômeno de aceleração do
abandono da prática da diversidade de cultivos e de variedades por parte desse
segmento produtivo, dando espaço para a consolidação da homogeneidade genética
e monoculturas e assim pondo em risco os serviços ambientais inestimáveis
prestados pelos camponeses, como na conservação da biodiversidade.
Dessa
forma, com a modernização da agricultura camponesa pelo nivelamento às
condições da agricultura produtivista, a biodiversidade passa a ser ainda mais
ameaçada, daí restando maiores desafios para a segurança alimentar num cenário
de profundas incertezas com o quadro de mudanças climáticas.
Associadamente,
o crescimento dessa especialização da produção, para o mercado, além de afetar
os atributos do autoconsumo das unidades camponesas, intensifica a ‘adesão’ da
oferta agrícola desses agricultores ao padrão alimentar fordista. Ademais das
perdas biológicas, nutricionais e de qualidade em geral dos produtos de origem
camponesa, equiparando-os aos da agricultura produtivista convencional, esse
processo gera reflexos no comprometimento da produção diferenciada das
culinárias regionais e, subjacente, provoca erosão em costumes e tradições
locais, implicando, pois, em perdas culturais.
Ainda no
que tange ao segundo ponto, causa apreensão, pelas consequências políticas e
econômicas, a tendência de subordinação plena dos agricultores familiares aos
oligopólios resultantes da unificação técnica e econômica dos setores da
genética e da química que compõem a indústria intermediária da agricultura
convencional. Da mesma maneira, preocupa a relação similar com os segmentos da
mecanização agrícola convencional que passou a ser disseminada com o programa
‘Mais Alimentos’, por meio do qual foi levado a cabo o que avaliamos como o
último estágio da modernização da agricultura familiar.
Afora os
desdobramentos na base técnica, os vínculos em questão passaram a aprofundar a
dependência, a fatores exógenos, sob o controle oligopólico, da formação dos
custos da produção camponesa. Tal fenômeno guarda proximidade com o processado
com a modernização do latifúndio que levou à ruptura da dinâmica dos complexos
rurais.
Em suma,
o processo de modernização conservadora da agricultura familiar culmina com a
ampla integração da economia camponesa aos circuitos dos capitais que controlam
o agronegócio. Significa que, a exemplo dos ‘fazendeiros modernos’, mas sem as
mesmas ‘defesas’, os camponeses passam a assumir condição objetiva de
terceirizados desses capitais que operam à montante e à jusante da base
primária da agricultura. Afinal, passaram a ter a estrutura de custos, os
próprios custos e os preços determinados por esses capitais.
Tem-se,
então, a incidência direta sobre os camponeses, da trajetória histórica de
perda de rentabilidade da atividade primária do agronegócio não alterada mesmo
no período recente de boom dos preços para algumas commodities,
conforme temos demonstrado. (Ver a respeito, o artigo ‘O colapso do
agronegócio e a agricultura do futuro’,publicado no Jornal Valor
Econômico, em 21/01/2008 e, em maiores detalhes, o estudo A Pesquisa
Científica e os Desafios da Agricultura Brasileira, apresentado no X
Congresso do Sinpaf- 28/04/2011).
Não é à
toa a centralidade assumida pelo tema do endividamento agrícola na agenda de
lutas das entidades dos trabalhadores rurais brasileiros. Isto, praticamente
coincidindo com o início do processo de acesso massivo ao crédito por esses
agricultores. Basicamente, sob o embalo das políticas inclusivas para a
modernização, as pautas das entidades combinam demanda por mais recursos para o
crédito e, concomitante, pedidos de remissões, reduções e prorrogações das
dívidas correspondentes a créditos anteriores. Dessa forma, até a agenda de
demandas políticas da agricultura familiar passou a coincidir com a agenda
clássica do agronegócio. Não por que os camponeses adquiriram a esperteza dos
ruralistas que desde 1995 transformam as permanentes negociações de dívidas na
‘galinha dos ovos de ouro’ para setores do agronegócio à custa do Tesouro. Mas,
porque o incremento do consumo dos ‘insumos modernos’ nos processos produtivos
camponeses, permitido pelo crédito e orientado pela ATER, implicou em custos de
produção que crescem muito acima dos preços recebidos por esses agricultores.
Para
agravar o quadro acima, a tendência de expansão, entre os produtores de base
familiar, do padrão agrícola fundado na homogeneidade com monoculturas
intensifica os problemas de rentabilidade das atividades desses agricultores,
pelas implicações na gestão dos ‘tempos mortos’ da atividade agrícola.
Ocorre
que, num ambiente de diversidade de cultivos, o ‘tempo morto’ no desenvolvimento
de uma cultura é compensado por outra cultura. Assim, são minimizadas as
implicações econômicas dos tempos biológicos nos prazos de rotação do capital,
o que não ocorre num ambiente de monocultivos.
Em suma,
as principais lideranças dos trabalhadores rurais têm consciência das
encalacradas ora enfrentadas pelos camponeses, bem assim, de que a modernização
conservadora afasta a agricultura familiar de uma posição estratégica na
economia agrícola do país num futuro mais ou menos próximo a depender da amplitude
e da velocidade da evolução do processo de aquecimento global.
Nessa
perspectiva, essa opção de modernização, que foi de certa forma inevitável ante
os objetivos mais imediatos da inclusão, além de submeter a agricultura
familiar às mesmas vulnerabilidades econômicas e ambientais da agricultura
produtivista (mas sem as defesas desta), fragiliza o protagonismo desses
trabalhadores na garantia da segurança alimentar.
É fato
que as lideranças desse público transitam numa difícil zona de direção política.
Afinal, entre aproveitar o ambiente institucional favorável para dar retorno às
demandas materiais imediatas das suas bases, ou priorizar as lutas e demandas
compatíveis com o reposicionamento estratégico da agricultura camponesa, seria
difícil descartar a primeira opção. Uma alternativa de mediação entre as duas
opções tem sido igualmente difícil.
De todo o
modo, começa a adquirir densidade em setores do governo o tema da agroecologia. Tanto que, com a participação
da sociedade civil, ocorrem debates pela formulação de uma política nacional
para esse tema com foco para a agricultura familiar.
A questão
que se coloca é a seguinte: essa iniciativa incluirá reformas estruturais que
gerem políticas para a agricultura camponesa fundadas em uma matriz tecnológica
que possibilite eficiência produtiva, diversidade e baixo impacto ambiental? Ou
visa mais substrato para discursos às vésperas da ‘Rio+ 20’? É provável que o
alcance dessa provável política estará circunscrito às franjas do sistema
agrícola. A absoluta hegemonia do agronegócio não permite expectativa diversa.
Até porque o tema não mobiliza politicamente os núcleos dirigentes dos
Ministérios correspondentes. Tão pouco o tema se inscreve entre as prioridades
estratégicas efetivas do Executivo, ainda que exista sensibilidade para o
assunto. Mesmo entre as principais entidades dos trabalhadores, a agroecologia
ainda não foi pautada à altura do seu significado político e, portanto, não
comoveu ao ponto de ensejar mobilizações de massa.
Assim, os
esforços por uma política nacional sobre a temática refletem as ações de
militantes dispersos em várias esferas do governo em sintonia com os anseios de
lideranças de segmentos da sociedade civil.
Não
obstante essas limitações, a eventual política nacional para a agroecologia
oferecerá uma rara oportunidade de luta pela emancipação política da
agricultura camponesa. A depender do grau do engajamento social essa política
poderá evoluir para dimensão compatível com as necessidades do descolamento, do
modelo agrícola convencional, pelo menos de fração da agricultura de base
familiar.
O certo é
que o aprofundamento da modernização conservadora, entre várias consequências,
especificamente representa séria ameaça para a identidade e para a própria
sobrevivência de parcela considerável da agricultura camponesa. Assim, as
agroecologias oferecem uma porta de saída para os camponeses, que tende a
reabilitá-los enquanto classe social e a reposicioná-los produtivamente num
outro modelo de produção e consumo compatível com as exigências da segurança
alimentar.
Portanto,
dependendo dessa luta mudanças estruturais poderão ser viabilizadas para dar
consistência a esse processo.
O manejo
dos instrumentos econômicos para essa finalidade adquire importância decisiva.
Cabe lembrar que essa agenda foi e continua sendo negligenciada pelo MMA a quem
caberia a liderança nas tratativas correspondentes dentro do governo.
A
pesquisa permanece como fator altamente limitante. Dentro da Embrapa, nas
condições postas, são remotas as chances de logística, recursos humanos e
financeiros em escala compatível com uma estratégia de pesquisa do gênero, na
dimensão requerida. Mas, fora da Embrapa, também seria difícil. A possibilidade
de criação de instância em nível de diretoria dentro da empresa para P&D em
agroecologias seria uma alternativa.
Da mesma
forma, os serviços de ATER deverão passar por profundas transformações, e os
mercados institucionais deveriam gradativamente ser redirecionados para
produtos agroecológicos. Nesse particular, as lutas por mais mercados
institucionais com metas progressivas para esses produtos assumem importância
singular.
Mais
desafiador, ainda, será a viabilização da oferta em escala, o que poderá
ocorrer mediante a multiplicação de unidades celulares de produção articuladas
com processos coletivos de comercialização. Um enorme desafio para a
organização desses trabalhadores.
Enfim, os
desafios não são triviais. Mas, pelo menos ainda há desafios!
(*) Ex-presidente
da ABRA – Associação Brasileira de Reforma Agrária.
Palavras-chaves: agroecologia,
agroecossistemas, camponês, transição agroecológica
Key word: agroecology, agroecosystem, peasant,
agroecological transition
terça-feira, 24 de abril de 2012
Mecanismos de controle para a garantia da qualidade orgânica
INTRODUÇÃO
O
clima, a biodiversidade, a interação cultural e a composição dos solos fazem do
Brasil um dos principais produtores orgânicos do mundo.
Esta
publicação apresenta os mecanismos de controle para a garantia da qualidade
orgânica. Uma maneira fácil e eficiente de orientar, esclarecer e incentivar
produtores a investirem sempre em produtos de qualidade.
MECANISMOS
DE GARANTIA
A
qualidade dos produtos orgânicos produzidos no Brasil é garantida de três
diferentes maneiras: a Certificação, os Sistemas Participativos de Garantia e o
Controle Social para a Venda Direta sem Certificação. Juntos,
a Certificação e os sistemas Participativos de Garantia formam o Sistema
Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica – SisOrg e são realizados por
Organismos de Avaliação da Conformidade Orgânica.
ORGANISMOS
DE AVALIAÇÃO DA CONFORMIDADE ORGÃNICA
Os
Organismos de Avaliação da Conformidade Orgânica, quando credenciados, passam a
ser responsáveis por lançar e manter atualizados os dados ligados a todas as unidades de produção que estejam sob o seu
controle no Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos e no Cadastro Nacional de
Atividades Produtivas.
Para
garantir a integridade do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade nas
relações comerciais, os Organismos de Avaliação da Conformidade Orgânica têm
que possuir procedimentos definidos para a emissão das Declarações de Transação
Comercial por eles próprios ou pela unidades de produção que eles controlam .
Essas declarações devem conter as informações qualitativas sobre os produtos
comercializados e garantir o controle e a rastreabilidade deles.
ORGANISMOS
DE AVALIAÇÃO DA CONFORMIDADE ORGÂNICA NAS IMPORTAÇÕES
No
caso de importações de produtos orgânicos de outros países, é necessário que os
Organismos de Avaliação da Conformidade Orgânica desses países estejam
credenciados juntos ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento,
seguindo os critérios definidos pela legislação brasileira. Caso já existam
acordos de reconhecimento mútuo com o país exportador, o órgão responsável pelo
Sistema de Avaliação da Conformidade Orgânica do país exportador, o órgão
responsável pelo Sistema de Avaliação da Conformidade Orgânica do país
exportador deve fornecer a lista formal dos organismos credenciados por eles.
ÁREAS
DE ATUAÇÃO DO ORGANISMO DE AVALIAÇÃO DA CONFORMIDADE ORGÂNICA
O
organismo de avaliação da Conformidade Orgânica pode se credenciar para atuar
na avaliação de uma ou mais áreas de atuação, divididas pela legislação das
seguintes maneiras:
- Produção primária animal;
- Produção primária vegetal;
- Extrativismo sustentável orgânico;
- Processamento de produtos de origem vegetal;
- Processamento de produtos de origem animal;
- Processamento de insumos agrícolas;
- Processamento de insumos pecuários;
- Processamento de fitoterápicos;
- Processamento de cosméticos;
- Processamento de produtos têxteis;
- Comercialização, transporte e armazenagem;
- Restaurantes, lanchonetes e similares.
UNIDADES
DE PRODUÇÃO
São
consideradas unidades de produção os empreendimentos destinados à produção,
manuseio ou processamento de produtos orgânicos. Os Organismos
de avaliação e Controle da Conformidade Orgânica têm que possuir mecanismos de
aceitação de unidades de produção e comercialização, que antes eram controladas
por outras Certificadoras ou Organismos Participativos de Avaliação da
conformidade Orgânica.
BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Mecanismo de controle para a garantia
da qualidade orgânica. Brasília, 2009. 44 p.
Palavras-chaves: agroecologia,
agroecossistemas, camponês, transição agroecológica
Key word: agroecology, agroecosystem, peasant,
agroecological transition
Certificação por empresas
A legislação brasileira prevê três
diferentes maneiras de garantir a qualidade orgânica dos seus produtos: a
Certificação, os Sistemas Participativos de Garantia e o Controle social para a
Venda Direta sem Certificação. Nesta publicação, trataremos da Certificação por
empresas.
O
mecanismo da Certificação se dá por meio de empresas públicas ou privadas, com
ou sem fins lucrativos. Mais conhecidas como Certificadora, essas empresas realizam
inspeções e auditorias, seguindo procedimentos básicos estabelecidos por normas
reconhecidas internacionalmente. Uma delas é não ter nenhum tipo de ligação com o processo produtivo que
estão avaliando.
As
Certificadoras devem garantir que cada unidade de produção e comercialização
certificada cumpra, durante todas as etapas do processo de Certificação, as
seguintes exigências:
- Versões atualizadas dos regulamentos técnicos e procedimentos aplicáveis;
- Descrição completa dos processos de auditoria, certificação e recursos em linguagem acessível aos interessados;
- Certificados atuais ou outra prova por escrito da situação da certificação;
- Cópias dos relatórios de inspeção e auditoria e de qualquer outra documentação relacionada a Certificação da produção, com exceção dos documentos confidenciais, fornecidas, no mínimo, anualmente.
Cada
unidade de produção certificada tem que apresentar um registro do tipo de
produção que permita a obtenção de informações para realizar as verificações
necessárias sobre produção, armazenamento, processamento, aquisições e vendas.
INSPEÇÕES
DAS UNIDADES
As
inspeções realizadas pelas certificadoras devem seguir procedimentos objetivos,
com acesso a todas as instalações, registros e documentos das unidades de
produção.
As
unidades de produção devem ser inspecionadas no mínimo uma vez ao ano, sendo
que no intervalo entre as vistorias são utilizados outros mecanismos de controle.
Para as atividades de avaliações mais complexas, como cultivos ou criações de
vários ciclos anuais, processamento em estabelecimentos com produção paralela,
a Certificadora tem que estabelecer um trabalho de fiscalização mais frequente.
As certificadoras devem também realizar visitas sem aviso prévio em pelo menos
5% das unidades certificadas durante o ano.
Empresas
certificadoras podem adotar inspeções por sistemas de amostragem em
organizações ou grupos de produtores que envolvam várias unidades, desde que
estes possuam um Sistema de Controle Interno, aprovado previamente pela Certificadora,
capaz de acompanhar 100% dos produtoses.
A
partir da avaliação do risco do Sistema de Controle Interno da organização ou
grupo, será determinado a percentagem da amostra ou o número de produtores que
receberão visitas de inspeção externa. O número de inspeções externas será no
mínimo a raiz quadrada do número total de produtores.
As
análises laboratoriais também podem ser necessárias para subsidiar os
procedimentos de inspeção, auditoria ou para o atendimento de declarações adicionais exigidas em algumas Certificações.
No caso em que sejam necessárias, deverão ser executadas por laboratórios credenciados
por órgãos de âmbito federal.
No
caso da Certificadora estabelecer seu custo de Certificação com base em
percentual sobre a produção certificada, ela é obrigada a oferecer também outra modalidade de cobrança.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Mecanismo de controle para a garantia
da qualidade orgânica. Brasília, 2009. 44 p.
Palavras-chaves: agroecologia,
agroecossistemas, camponês, transição agroecológica
Key word: agroecology, agroecosystem, peasant,
agroecological transition
Sistema Participativo de Garantia (SPG)
A legislação brasileira prevê três diferentes maneiras de garantir a qualidade orgânica dos seus produtos: a Certificação, os Sistemas Participativos de Garantia e o Controle social para a Venda Direta sem Certificação. Nesta publicação, trataremos do Sistema Participativo de Garantia - SPG.
O QUE É O QUE É?
Para você entender como os produtos orgânicos ganham credibilidade, é importante saber o que é Controle Social e Responsabilidade Solidária.
O Controle Social é um processo de geração de credibilidade, necessariamente reconhecido pela sociedade, organizado por grupo de pessoas que trabalham com comprometimento e seriedade. Ele é estabelecido pela participação direta dos seus membros em ações coletivas para avaliar a conformidade dos fornecedores aos regulamentos técnicos da produção orgânica. Em outras palavras, o comprometimento deles com as normas exigidas para esse tipo de produção.
Já a Responsabilidade Solidária acontece quando todos os participantes do grupo comprometem-se com o cumprimento das exigências técnicas para a produção orgânica e responsabilizam-se de forma solidária nos casos de não-cumprimento delas por alguns de seus membros.
O QUE É O QUE É?
Para você entender como os produtos orgânicos ganham credibilidade, é importante saber o que é Controle Social e Responsabilidade Solidária.
O Controle Social é um processo de geração de credibilidade, necessariamente reconhecido pela sociedade, organizado por grupo de pessoas que trabalham com comprometimento e seriedade. Ele é estabelecido pela participação direta dos seus membros em ações coletivas para avaliar a conformidade dos fornecedores aos regulamentos técnicos da produção orgânica. Em outras palavras, o comprometimento deles com as normas exigidas para esse tipo de produção.
Já a Responsabilidade Solidária acontece quando todos os participantes do grupo comprometem-se com o cumprimento das exigências técnicas para a produção orgânica e responsabilizam-se de forma solidária nos casos de não-cumprimento delas por alguns de seus membros.
FORMAÇÃO DO SISTEMA PARTICIPATIVO - SPG
Para se formar uma SPG, devemos reunir produtores e
outras pessoas interessadas para assim organizar a formar sua estrutura básica,
que é composta pelos Membros do Sistema e pelo Organismo Participativo de
Avaliação da Conformidade – OPAC.
MEMBROS DO SISTEMA
São pessoas físicas ou jurídicas que fazem
parte de um grupo classificado em duas categorias: fornecedores e
colaboradores.
Fornecedores: São produtores, distribuidores,
comercializadores, transportadores e armazenadores.
Os fornecedores têm as seguintes funções:
- Solicitar a avaliação de conformidade de seus produtos para saber se estão de acordo com as normas de produção de produtos orgânicos;
- Fornecer todas as informações necessárias com os detalhes e a frequência pedidos pelo Sistema Participativo de Garantia – SPG e exigidos pelo OPAC – Organismo Participativo de Avaliação e Conformidade;
- Contribuir para a geração da credibilidade dos produtos por meio de sua participação no SPG;
- Atender todas as orientações de prevenção e providenciar a correção das não-conformidades. Quer dizer, as ações que não levam em consideração as recomendações da Comissão de Avaliação;
- Garantir que tanto os seus produtos quanto os do grupo estarão de acordo com os regulamentos de produção orgânica, respeitando a conformidade.
Colaboradores: São os consumidores e suas
organizações, os técnicos, as organizações públicas e privadas, as que
representam as mais diferentes classes e as ONGs.
Os colaboradores têm as seguintes funções:
- Contribuir com a geração de credibilidade por meio de sua participação ativa no Sistema Participativo de Garantia – SPG;
- Assumir a responsabilidade solidária pelos produtos avaliados.
SAIBA COMO SE TORNAR MEMBRO DE UM SPG JÁ
EXISTENTE
Para ser membro do SPG que já está
funcionando, o interessado deve apresentar ao grupo um documento assinado que o
encaminhará ao OPAC. Este documento deve ter:
- A manifestação de interesse em participar do SPG;
- Dados cadastrais solicitados pelo OPAC. No caso de fornecedores, também os dados e informações da unidade de produção;
- Declaração que já conhece e cumpre todas as regras de funcionamento do SPG.
Caso o grupo concorde com a participação do
interessado no SPG, basta registrar em documento essa aceitação e assinar,
junto com ele, um contrato.
ORGANISMOS PARTICIPATIVOS DE AVALIAÇÃO DA
CONFORMIDADE ORGÂNICA – OPACS.
Os OPACs correspondem às certificadoras no
Sistema de Certificação por Auditoria. São eles que avaliam, verificam e
atestam que produtos ou estabelecimentos produtores ou comerciais atendem as
exigências do regulamento da produção orgânica. Na verdade, a OPAc é a pessoa
jurídica que assume a responsabilidade formal pelo conjunto de atividades
desenvolvidas num SPG, devendo:
- Ser o representante legal do SPG perante os órgãos competentes;
- Assumir a responsabilidade legal pela avaliação se a produção está seguindo os regulamentos e normas técnicas na produção orgânica;
- Ter entre os seus participantes uma comissão de abaliação e um Conselho de Recursos formados por representantes dos membros do SPG;
- Emitir documentos relativos ao funcionamento do SPG;
- Organizar e guardar os registros e documentos relativos à avaliação da conformidade;
- Apontar as não-conformidades e sugerir ações preventivas e corretivas necessárias aos fornecedores;
- Possuir regimento interno que mostre a sua organização, o funcionamento participativo e como se responsabiliza pelo SPG.
ESTATUTO SOCIAL DOS ORGANISMOS PARTICIPATIVOS
DE AVALIAÇÃO DA CONFORMIDADE ORGÂNICA – OPACS
- O estatuto social do OPAC deve caracterizar bem suas atividades. Por isso, precisa estabelecer:
- Critérios para compor e escolher os membros da Comissão de Avaliação e Conselho de Recursos;
- Condição mínima de participação no cumprimento dos direitos e deveres dos membros;
- Previsão do número e frequência de reuniões e assembleias dos membros;
- Sanções e penalidades;
- Composição numérica de membros para se caracterizar um SPG;
- Exigências para funcionamento;
- Número mínimo de membros necessários para a tomada de decisões nas assembleias;
- Exigências relativas à participação de membros;
- Direitos e deveres dos membros.
MANUAL DE PROCEDIMENTOS DOS OPACS
Os OPACs devem possuir um material de
procedimento onde estejam estabelecidos:
- Informações, registros e documentos que o produtor deve manter na unidade de produção;
- Itens mínimos do roteiro de visita de verificação e visita de pares;
- Definição do período mínimo para a visita de pares;
- Itens do relatório de visita;
- Ações de controle utilizadas nos intervalos entre as visitas de verificação;
- Métodos de controle para atividades de avaliação mais complexas;
- Itens indispensáveis para o plano de manejo orgânico;
- Instrumentos que os fornecedores podem utilizar para rastrear os seus produtos;
- Procedimentos para as análises em laboratório;
- Sanções e penalidades;
- Procedimentos para a análise de recursos e reclamações.
OS OPACS E O MAPA
Para os OPACs atuarem legalmente, eles
precisam estar credenciados no Mapa – Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento. É esse credenciamento que autoriza a atuação dos OPACs no
Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica – SisOrg.
COMO ACONTECE O CREDENCIAMENTO DOS OPACS NO
MAPA?
O credenciamento dos OPACs no Mapa é mais
simples do que parece. A instituição deve protocolar a solicitação junto ao
Serviço de Política e Desenvolvimento Agropecuário – SEPDAG da Superintendência
Federal de Agricultura na unidade da federação onde estiver situada a sua sede.
É o SEPDAG que faz a verificação completa da documentação e envia o processo
para a Coordenação de Agroecologia – COAGRE do Mapa.
Confira os documentos necessários para o
credenciamento:
- Formulário de solicitação de credenciamento do OPAC preenchido e assinado;
- Cadastrodas unidades de produção onde já atua participando de avaliações da conformidade da produção orgânica ou declaração de inexistência de projetos sob seu controle;
- Comprovante de inscrição no CNPJ;
- Atos constitutivos do OPAC, como o estatuto, regimento e contrato social;
- Documentos, emitido pelos grupos que compõem o SPG, confirmando que é reconhecido como o OPAC a que estão vinculados;
- Manual de procedimentos operacionais do OPAC;
- Normas utilizadas na produção orgânica.
Para decidir sobre a solicitação de
credenciamento, a COAGRE deve consultar as Comissões de Produção Orgânica –
CPOrgs dos locais onde os OPACs já atuam. Assim, eles podem conseguir
informações a respeito das OPACs e realizar auditorias para verificar o
atendimento dos regulamentos.
ATENÇÃO!
Caso o OPAC não possua unidades de produção
controladas na ocasião da solicitação, o credenciamento acontece com uma única
condição: a realização de uma autoria de verificação, num prazo máximo de 6
meses, que confirmará ou não o credenciamento. E atenção: se um OPAC se
credenciar e permanecer sem controlar uma unidade de produção por mais de um
ano, será considerado inativo e o credenciamento será cancelado.
ATUAÇÃO DOS OPACS
Os OPACs podem se credenciar para atuar na
avaliação de uma ou mais áreas. Na nossa legislação, essas áreas são chamadas
de escopos e são divididas assim:
- Produção primária animal;
- Produção primária vegetal;
- Extrativismo sustentável orgânico;
- Processamento de produtos de origem vegetal;
- Processamento de produtos de origem animal;
- Processamento de insumos agrícolas;
- Processamento de insumos pecuários;
- Processamento de fitoterápicos;
- Processamento de cosméticos;
- Processamento de produtos têxteis;
- Comercialização, transporte e armazenagem;
- Restaurantes, lanchonetes e similares.
Nesta página, o Mapa disponibiliza a lista de
organismos de avaliação da conformidade orgânica credenciados.
SELO DO SISTEMA BRASILEIRO DE AVALIAÇÃO DA
CONFORMIDADE ORGÂNICA
A partir do momento em que está credenciado,
o OPAC pode autorizar os fornecedores por eles controlados a utilizar o Selo do Sistema Brasileiro de Avaliação da
Conformidade Orgânica. O objetivo desse selo é facilitar ao consumidor
identificar os produtos orgânicos que estão em conformidade com os regulamentos
e normas técnicas da produção orgânica.
Atenção: O uso do selo só passará a acontecer
a partir de 2010, quando os produtores de orgânicos já estarão obrigados a
cumprir toda a nova regulamentação.
ONDE O SELO DEVE ESTAR LOCALIZADO NO PRODUTO
O selo do Sistema Brasileiro de Avaliação da
Conformidade Orgânica deve estar na parte da frente do produto. Logo abaixo
dele, deve haver a identificação de que o produto é avaliado por uma SPG –
Sistema Participativo de Garantia. O selo do Sistema Brasileiro de Avaliação da
Conformidade Orgânica pode ser usado juntamente com o selo da OPAC.
A RESPONSABILIDADE DO OPAC
Após o credenciamento, o OPAC passa a ser
responsável por lançar e manter atualizados todos os dados das unidades de
produção que controla. Ele terá que
fazer essas atualizações no Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos e no
Cadastro Nacional de Atividades Produtivas, pois essas informações devem estar
disponíveis para toda a sociedade.
O OPAC E AS UNIDADES DE PRODUÇÃO
Todo OPAC tem que possuir mecanismos de
aceitação de unidades de produção e comercialização anteriormente controladas
por outras certificadoras ou OPACs. Portanto, todos têm que estabelecer formas
de encaminhamento a outros organismos
de avaliação da conformidade, dos registros pertinentes às unidades que
queiram fazer essa mudança.
A INTEGRIDADE DO SISTEMA BRASILEIRO DE
AVALIAÇÃO DA CONFORMIDADE ORGÂNICA
É muito importante garantir a integridade do
Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica nas relações
comerciais. Para isso, os Organismos de Avaliação têm que possuir procedimentos
definidos para a emissão das Declarações de Transação Comercial emitidas por
eles próprios ou pelas unidades que eles controlam. Tais declarações devem
apresentar informações sobre a qualidade e quantidade dos produtos orgânicos
comercializados em lotes, garantindo a rastreabilidade desses produtos.
A VERIFICAÇÃO DA CONFORMIDADE NOS SPGS
Os SPGs têm como forte característica a
combinação das Visitas de Verificação da Conformidade com a promoção de troca
de experiências entre os participantes do sistema e o assessoramento aos
fornecedores para a solução de possíveis problemas e para o aperfeiçoamento dos
sistemas produtivos.
As Visitas de Verificação de Conformidade são
realizadas pelas Comissões de Avaliação e pelas visitas de pares, ou seja, de
outros membros do mesmo SPG. Elas acontecem, no mínimo, uma vez por ano no
grupo ou no fornecedor individual. Mas, no intervalo entre elas, é necessária a
utilização de outros mecanismos de controle social, como, por exemplo, a
participação dos fornecedores nas atividades do Sistema Participativo de
Garantia e nas reuniões do Organismo Participativo de Avaliação da Conformidade.
Os responsáveis pelas Visitas de Verificação
da Conformidade precisam ter livre acesso às instalações, registros e
documentos das unidades de produção, além de qualquer área de produção não-orgânica
da própria unidade ou das demais que aprsentarem alguma ligação com a atividade
verificada.
VERIFICAÇÃO DA CONFORMIDADE POR AMOSTRAGEM
Quando uma OPAC considerar que é seguro, ele
pode fazer as Visitas de Verificação por amostragem, sendo que o número de
visitas não deve ser menor que a raiz quadrada do número de fornecedores no
grupo. O OPAC – Organismo Participativo de Verificação de Conformidade tem que
ter um prazo estabelecido para que todas as unidades de produção de cada grupo
sejam visitadas em função dos riscos identificados. Também é indicado que o
OPAC faça visitas-surpresa de verificação.
O QUE É NECESSÁRIO PARA UMA BOA VERIFICAÇÃO
As visitas de Verificação da Conformidade precisam
ser preparadas com antecedência e organização para que os envolvidos consigam
informações suficientes para uma boa verificação. Por isso, elas devem:
- Seguir um roteiro claro que identifique itens que precisam ser verificados;
- Seguir procedimentos objetivos e relatar casos não cobertos pela regulamentação;
- Emitir relatórios de visita que mostrem os requisitos que interessam ao regulamento técnico utilizado para a produção orgânica, além dos critérios do SPG.
MAIS DETALHES SOBRE AS VISITAS DE PARES
Nesse tipo de visita é bom que haja a
participação de outras partes que representem interesses diferentes, como
consumidores e técnicos. Esse acontecimento deve ser registrado e assinado em
documento com informação sobre o cumprimento do regulamento da produção
orgânica. Essa visita também constará em ata de reunião de membros. Caso a
visita de pares encontre alguma irregularidade, o grupo solicita a Comissão de
Avaliação uma Visita de Verificação.
ATIVIDADES COM AVALIAÇÕES COMPLEXAS
O cultivo ou criação de vários ciclos
produtivos durante o ano, o processamento em estabelecimentos com produção
paralela e o extrativismo sustentável orgânico são atividades cujas avaliações
são mais complexas. Para esses casos, os OPACs devem estabelecer uma
sistemática de controle mais frequente durante o período de produção.
NECESSIDADES DE ANÁLISES EM LABORATÓRIOS
Fica a critério da Comissão de Avaliação da
Conformidade do OPAC decidir se há necessidade de se fazer as análises
laboratoriais para a verificação da conformidade. Nesses casos, as análises
devem ser feitas por laboratórios credenciados por órgãos oficiais de âmbito
federal. Mas, se não houver credenciamento, a aprovação do laboratório será
feita pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
A DECISÃO SOBRE A CONFORMIDADE
Após a visita de Verificação, a decisão sobre
a conformidade ou não e as possíveis medidas de correção e penalidades a serem
aplicadas são tomadas pela Comissão de Avaliação, pelo fornecedor visitado e
pelo grupo que ele integra. Para isso, é feita uma reunião específica
respeitando a quantidade mínima de participantes definida no Regimento interno
do OPAC. Tal decisão é registrada em documento de aprovação ou renovação da
conformidade.
TRATAMENTO DE RECURSOS E RECLAMAÇÕES
O responsável pelo tratamento de recursos e
reclamações é o Conselho de Recursos do Organismo Participativo de Avaliação de
Conformidade. É ele quem os mantém registrados e documenta as ações
decorrentes. Lembrando que os responsáveis pelas avaliações questionadas não
poderão participar das decisões em relação à análise dos recursos e reclamações.
ATESTADO DE CONFORMIDADE ORGÂNICA
Quando o fornecedor tem a conformidade de sua
produção aprovada, recebe do Organismo Participativo de Avaliação da
Conformidade o Atestado de Conformidade Orgânica. Este documento tem validade
de um ano a partir da data de emissão.
Mas atenção: caso o fornecedor possua o
Atestado de Conformidade Orgânica não participe das atividades do Sistema
Participativo de Garantia a que pertence, o grupo pode determinar sua exclusão.
A decisão é comunicada ao Organismo Participativo da Avaliação de Conformidade,
que providencia o cancelamento do Atestado e a retirada do fornecedor do
Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos e do Cadastro Nacional de Atividades
Produtivas.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Produtos Orgânicos: Sistemas Participativos de Garantia. Brasília, 2009. 44 p.
Palavras-chaves: agroecologia,
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